O grande problema da cria√ß√£o de muitas ra√ßas no Brasil √© a aus√™ncia de linhas de sangue definidas. Salvo as sempre honrosas exce√ß√Ķes, h√° uma grande depend√™ncia da importa√ß√£o de c√£es. E ainda assim, a melhoria que tais aportes de outros pa√≠ses trazem duram apenas uma ou duas gera√ß√Ķes.
A explica√ß√£o para esse problema da cria√ß√£o est√° na excessiva valoriza√ß√£o das importa√ß√Ķes e aus√™ncia de um programa de cria√ß√£o definido.

Para estabelecer uma linhagem, não basta ter cães excepcionais. O principal fator é um criterioso programa de cruzamentos e seleção. Acontece que, no Brasil, foram pouquíssimos os criadores de que souberam direcionar um programa de acasalamentos.

Um programa de criação sólido pode produzir resultados até mesmo partindo de indivíduos inferiores a esses. Basta atentar-se para algumas etapas, ou seja, estabelecer objetivos de criação, selecionar matrizes e padreadores e escolher corretamente acasalamentos. Obviamente, também, deve-se levar em consideração que o trabalho de criação é de longo prazo.

Objetivos de Criação

O padr√£o da ra√ßa deve ser sempre o ponto de partida para se estabelecer os objetivos de cria√ß√£o. √Č pela sua an√°lise que o criador sopesar√° quais qualidades valorizar√° e quais defeitos eliminar√° de sua cria√ß√£o. Claro que sempre privilegiando indiv√≠duos s√£os e f√©rteis.

Antes de qualquer coisa, o criador deve, a partir da leitura do padrão da raça, formar a imagem de seu cão ideal. Para isso, deverá levar em consideração que o padrão tem aspectos objetivos e subjetivos, como demonstra o seguinte quadro:

DESCRIÇÃO SUBJETIVA : OBJETIVA

DESCRIÇÃO OBJETIVA

Apar√™ncia Geral: Molosso de tipo normal, mesomorfo e macrot√°lico dentro das propor√ß√Ķes desejadas, sem gigantescas dimens√Ķes. Seu aspecto √© harmonioso e vigoroso, devido aos seus poderosos m√ļsculos, debaixo de uma consistente e el√°stica pele, aderidos ao corpo por um tecido subcut√Ęneo pouco solto. De andar tranq√ľilo, seguro, inteligente e de rea√ß√Ķes r√°pidas, demonstrando permanente alegria em seus movimentos. De car√°ter cordial e afetuoso, uma admir√°vel cor branca, suas virtudes f√≠sicas o mostram um verdadeiro atleta.

Propor√ß√Ķes Importantes: Por ser um animal mesoformo, nenhuma de suas regi√Ķes se salienta de seu corpo que √© harmonioso e equilibrado. Mesoc√©falo: o focinho deve ter o mesmo comprimento que o cr√Ęnio. A altura da cernelha √© igual √† altura da garupa. A altura do t√≥rax √© igual a 50% da altura da cernelha. O comprimento do corpo ultrapassa a altura da cernelha em 10%.

Comportamento / Temperamento: Alegre, franco, humilde, amig√°vel, pouco ladrador, demonstrando sempre ser consciente de seu poder. Jamais deve ser agressivo, carater√≠stica que deve ser severamente observada. Sua atitude dominante o mostra em cont√≠nua competi√ß√£o territorial com exemplares do mesmo sexo, carater√≠stica mais not√°vel nos machos. Como ca√ßador √© astuto, silencioso, valente e corajoso.

Cabe√ßa: de tipo mesocef√°lico, de aspecto forte e poderosa, sem √Ęngulos abruptos nem cinzelamento, mostra um perfil c√īncavo-convexo; convexo no cr√Ęnio devido ao relevo dos m√ļsculos mastigadores e da nuca; e ligeiramente c√īncavo no focinho. Articulado com o pesco√ßo forma um arco de forte musculatura.

Trufa: narinas amplas. Ligeiramente elevada de frente dando à terminação a concavidade do focinho. Visto de perfil, a linha anterior é perpendicular e reta, coincidindo com o bordo do maxilar ou ligeiramente anterior a ele.Trufa: pigmentação preta.
Focinhos: forte, um pouco mais longo do que profundo, bem desenvolvido em largura, com seus lados ligeiramente convergentes.Focinhos: A linha superior √© ligeiramente c√īncava, caracter√≠stica quase exclusiva do Dogo Argentino.
Lábios: moderadamente grossos, curtos e aderentes, com os bordos livres.Lábios: Preferêncialmente pretos.
Maxilares / Dentes: maxilares fortes e bem adaptados sem prognatismo superior ou inferior. Os maxilares devem ser ligeiramente convergentes dando homogeneidade √†s arcadas dent√°rias. Os maxilares asseguram uma capacidade m√°xima de morder.Maxilares / Dentes: Dentes grandes, bem desenvolvidos firmemente dispostos em linha, limpos e sem c√°ries. A completa denti√ß√£o √© recomendada, dando prioridade √† homogeneidade das arcadas dent√°rias. Mordedura em torqu√™s, aceitando mordedura em tesoura.
Bochechas: longas e relativamente planas, sem dobras, relevos ou cinzelamento.Bochechas: cobertas por pele forte.
Olhos: protegidos por p√°lpebras. Inser√ß√£o m√©dia e ampla, separa√ß√£o entre ambos. A express√£o deve ser alerta e viva, ao mesmo tempo, bem firme, especialmente nos machos.Olhos: escuros ou cor de avel√£,com bordas de prefer√™ncia pretas sendo que a aus√™ncia de pigmenta√ß√£o n√£o √© falta. Amendoados.

Orelhas: inseridas altas e, lateralmente, bem separadas devido √† largura do cr√Ęnio.
Em alerta, elas podem ser semi-eretas.

Orelhas: Funcionalmente, dever√£o apresentar-se cortadas e eretas, em forma triangular e de um comprimento que n√£o exceda 50% do bordo anterior do aur√≠culo da orelha natural. Sem serem cortadas, as orelhas s√£o de comprimento m√©dio, grossas, planas e arredondadas na ponta. De pelagem lisa, ligeiramente mais curta do que no resto do corpo, podem ter pequenas manchas que n√£o devem ser penalizadas. Em posi√ß√£o natural, s√£o pendentes cobrindo a parte traseira das bochechas.
Pesco√ßo: de comprimento m√©dio, forte e reto, bem musculoso com uma ligeira linha superior convexa. Em forma de cone truncado, junta-se √† cabe√ßa em um musculoso arco que esconde todos os relevos √≥sseos desta regi√£o e se fixa, no t√≥rax, numa base larga. Coberto por uma pele el√°stica e grossa que se desliza livremente sobre de um tecido celular subcut√Ęneo ligeiramente mais solto do que no resto do corpo, fazendo suaves dobras n√£o pendentes na altura da garganta; esta caracter√≠stica √© fundamental para a fun√ß√£o do c√£o. A pelagem nesta regi√£o √© ligeiramente mais longa.Cauda: de inser√ß√£o m√©dia, em √Ęngulo de 45¬į com a linha superior. Em forma de sabre, grossa e longa; atingindo os jarretes, sem ultrapass√°-los. Em repouso √© ca√≠da naturalmente. Quando o c√£o est√° em a√ß√£o √© ligeiramente portada acima da linha superior e em constante movimento lateral. Em trote √© portada ao n√≠vel da linha superior ou levemente acima dela. 
PELE: homog√™nea, ligeiramente grossa, mas suave e el√°stica. Aderente ao corpo por um tecido subcut√Ęneo semi-frouxo que lhe permite movimentos livres, sem formar rugas relevantes, exceto na regi√£o do pesco√ßo onde o tecido subcut√Ęneo √© mais frouxo. Com a menor pigmenta√ß√£o poss√≠vel, apesar desta aumentar com a idade. A pele excessivamente pigmentada n√£o √© aceita. Preferem-se exemplares com os bordos das mucosas labiais e as p√°lpebras pigmentadas de preto.Membros anteriores: vistos em conjunto, representam uma unidade forte e de robusta conforma√ß√£o √≥sseo-muscular, proporcionais ao tamanho do animal. Aprumos perpendiculares tanto de frente como de perfil. Ombros: altos e proporcionados, muito fortes com grandes relevos musculares, sem exageros. Obl√≠quos com a horizontal de 45¬į. Bra√ßos: comprimento m√©dio e proporcional ao conjunto. Forte e de importante musculatura, com um √Ęngulo de 45¬į com a horizontal. Cotovelos: robustos, cobertos de uma pele mais grossa e el√°stica sem dobras e sem rugas. Naturalmente situados contra a parede costal parecendo formar parte dela. Antebra√ßos: de igual comprimento que os bra√ßos e perpendiculares, com ossos fortes e retos com bom desenvolvimento muscular. Articula√ß√£o do carpo: longo e em uma mesma linha com os antebra√ßos, livre de sobre-relevos √≥sseos e rugosidades. Metacarpos: ligeiramente planos com bons ossos e inclinados de 70¬į a 75¬į com a linha horizontal. Patas dianteiras: redondas com dedos curtos, robustos e bem fechados. Almofadas carnosas e duras cobertas de pele dura e √°spera ao tato.
Pelagem: P√™lo: uniforme, curto, liso e suave ao tato com um comprimento aproximado de 1,5 cm a 2 cm. Sua densidade e grossura variam segundo os climas. Em climas tropicais a pelagem √© fina e rala (deixando transparecer a pele fazendo-se vis√≠veis as regi√Ķes pigmentadas, o que n√£o √© motivo de penaliza√ß√£o) e mais grossa e densa nas regi√Ķes frias onde pode aparecer subp√™lo.Posteriores: Angula√ß√Ķes m√©dias. Vistos em conjunto s√£o fortes e paralelos, dando a imagem de for√ßa e pot√™ncia que sua fun√ß√£o requer, assegurando a suficiente impuls√£o e determinando o t√≠pico modo de andar. Coxas: comprimento proporcional ao conjunto. Fortes, com importante e muito vis√≠vel desenvolvimento muscular. √āngulo coxofemoral pr√≥ximo a 100¬į. Joelhos: colocados no mesmo eixo do membro; √Ęngulo f√™moro-tibial cerca de 110¬į. Pernas: ligeiramente mais curtas que as coxas, fortes e com os mesmos m√ļsculos bem desenvolvidos. Jarretes: o conjunto tarso-metatarso √© curto, forte e firme, assegurando a for√ßa de propuls√£o do membro posterior. Tarso robusto, com a parte do jarrete evidente. A articula√ß√£o t√≠bio-tarsiana forma um √Ęngulo perto de 140¬į. Metatarso robusto, quase cil√≠ndrico e aprumado em 90¬į com a horizontal. Erg√īs devem ser removidos. Patas traseiras: id√™nticas √†s patas dianteiras, ligeiramente menores e mais longas, mas com as mesmas caracter√≠sticas. 
COR: integralmente branca. Admite-se, unicamente, uma mancha preta ou de tonalidade escura ao redor dos olhos, n√£o cobrindo mais de 10% da cabe√ßa. Entre dois c√£es de iguais condi√ß√Ķes, o juiz sempre dever√° escolher o mais branco.Movimenta√ß√£o: √°gil e firme; com not√≥rias modifica√ß√Ķes quando alguma coisa o interessa, mudando de atitude com reflexos r√°pidos, t√≠picos desta ra√ßa. Passo pausado. Trote amplo, de boa suspens√£o anterior e potente propuls√£o. No galope mostra toda sua energia, desenvolvendo toda a pot√™ncia que possui. As quatro patas deixam rastros simples e paralelos. Passo de camelo √© considerado uma falta grave.

Dentro dos aspectos objetivos, n√£o h√° qualquer margem de liberdade. Exemplificando, a propor√ß√£o cr√Ęnio/focinho deve ser 1:1. A descri√ß√£o √© precisa e qualquer desvio ser√° inequivocamente uma falta, um defeito.

Por outro lado, no que se refere aos aspectos subjetivos, existe uma √°rea de liberdade. O padr√£o descreve que o pesco√ßo deve ser longo e musculoso. Entretanto, n√£o precisa exatamente qu√£o longo ou musculoso deve ser, nem mesmo qual √© o ponto equil√≠brio entre essas duas caracter√≠sticas. H√° um campo dentro do qual c√£es com pesco√ßos diferentes estar√£o igualmente dentro do padr√£o. Claro que evitando os excessos, tais como, pesco√ßo curto, muito longo, pouco musculoso e franzino. √Č uma quest√£o de razoabilidade, de equil√≠brio e balanceamento.

Ali√°s, equil√≠brio e balanceamento s√£o fatores chaves em qualquer programa de cria√ß√£o. Uma cabe√ßa pesada para um c√£o de conforma√ß√£o mais leve ser√° sem d√ļvida uma fonte de problemas. Essa despropor√ß√£o entre cabe√ßa e corpo pode at√© mesmo induzir defeitos de traseira no c√£o.

Em termos de estrutura, altera√ß√Ķes em uma regi√£o espec√≠fica, geralmente, mostram conseq√ľ√™ncias por todo o corpo. Por isso, n√£o adianta estabelecer objetivos conflitantes para um plano de cria√ß√£o.

Tamb√©m se deve atentar para o fato de que muitas vezes defeitos v√™m acompanhados de qualidades e vice-versa. √Č o caso das cabe√ßas pesadas e expressivas dos c√£es europeus que geralmente v√™m acompanhadas de excesso de barbelas. Por isso, tamb√©m faz parte do plano de cria√ß√£o estabelecer quais defeitos se pretende suportar em uma linha de sangue para se ter determinadas qualidades.

Do mesmo modo, o que √© correto em determinado c√£o pode ser defeituoso em outro. Nesse sentido, um c√£o com dorso inclinado, para ter as angula√ß√Ķes em equil√≠brio, tem a angula√ß√£o dianteira mais aberta e a traseira mais fechada. J√° um c√£o com o dorso em n√≠vel ter√° a angula√ß√£o dianteira mais fechada e a traseira mais aberta para t√™-las balanceadas.

√Č por tais aspectos que muitos consideram a cria√ß√£o de c√£es como uma arte. √Č certo que o padr√£o estabelece algumas limita√ß√Ķes, mas h√° uma grande margem de liberdade para diferentes estilos de cria√ß√£o. Nesse aspecto, √© bom lembrar que o dogo argentino tem na sua origem fortes influ√™ncias dos molossos. Da mesma forma, diversos tipos de c√£es, como por exemplo Pero Pelea Cordob√™s, Boxer, Bull Terrier, Dogue Alem√£o, entre outros participaram da forma√ß√£o da ra√ßa.

Em outras palavras, o dogo argentino tem, nas suas origens pr√≥ximas e remotas, a diversidade. Nisso reside a explica√ß√£o para o grande n√ļmero de tipos dentro da ra√ßa.
Cabe ao criador, dentro de tal pluralidade de tipos, escolher e fixar, dentro do padrão, o estilo de sua criação, ponderando todas as características que deseja selecionar e as que objetiva excluir.
De tal modo, um plano de criação deve selecionar animais saudáveis e férteis e que se assemelhem a um ideal fixado pelo criador com base no padrão da raça. O balanceamento, a harmonia e o equilíbrio são fundamentais no estabelecimento desse ideal. Também, faz parte da fixação dos objetivos de criação estabelecer quais defeitos está-se disposto a suportar e quais qualidades se deseja valorizar.
Cabe, ainda, fazer uma √ļltima advert√™ncia no que tange aos objetivos de cria√ß√£o: mud√°-los radicalmente significa come√ßar do zero todo o trabalho para se estabelecer uma linha de sangue.
A formação do plantel: a seleção de matrizes e padreadores

Outro ponto chave de um programa de cria√ß√£o √© a sele√ß√£o das matrizes e padreadores, seja de exemplares adquiridos de outro canil ou de exemplares advindos de cria√ß√£o pr√≥pria. Em quaisquer dos casos, os exemplares devem sempre se aproximar o m√°ximo poss√≠vel do ideal fixado pelo criador. A conforma√ß√£o dos exemplares escolhidos deve sempre seguir um padr√£o. √Č essencial que todos os exemplares de um canil que deseja fixar uma linha de sangue se assemelhem.
√Č uma tarefa herc√ļlea e ingrata tentar fixar uma linha de sangue a partir de indiv√≠duos de caracter√≠sticas heterog√™neas. Se o objetivo √© estabelecer uma linha de sangue, a utiliza√ß√£o de exemplares de conforma√ß√£o d√≠spares, mesmo que sejam excepcionais, n√£o √© ideal. √Č bom sempre lembrar que a estrutura de um c√£o √© determinada por uma complexa combina√ß√£o de genes, em que bastam pequenas altera√ß√Ķes para desequilibrar todo o conjunto. Nesse sentido, acasalar exemplares muito diferentes √© um primeiro passo para romper um equil√≠brio constru√≠do durante gera√ß√Ķes. Estabelecer e manter uma homogeneidade de conforma√ß√£o de plantel √©, portanto, um fator primordial.
Entretanto, a homogeneidade n√£o deve ser apenas de conforma√ß√£o, mas tamb√©m gen√©tica. Os exemplares devem ter cargas gen√©ticas pr√≥ximas. Acontece que h√° apenas uma forma de assegurar que os exemplares tenham cargas gen√©ticas pr√≥ximas e homog√™neas: a utiliza√ß√£o de c√£es com parentesco. √Č, por isso, que, na forma√ß√£o de uma linha de sangue, os cruzamentos - consang√ľ√≠neos pr√≥ximos (inbreeding) ou distantes (linebreeding) - t√™m grande import√Ęncia.
Da mesma forma, são peças importantes do programa de criação os indivíduos que sejam resultantes de acasalamentos fechados. Em tais cães, a análise do pedigree é importantíssima, já que se os ascendentes foram de excepcional qualidades serão grandes as chances de o cão também ser de boa conformação.
Ainda quando se fala da carga genética, a seleção de progênie é um método valioso para se fixarem as características desejadas. A seleção de progênie envolve dois aspectos complementares: a progênie - descendentes - dos melhores exemplares deve sempre ter destaque na criação e também os indivíduos de melhor progênie devem receber mais atenção.
A escolha do padreador do canil √© algo sens√≠vel e de extrema relev√Ęncia em um canil. Em primeiro lugar, √© necess√°rio ressaltar que o caminho mais r√°pido para estabelecer uma linha de sangue est√° na utiliza√ß√£o de apenas um macho, j√° que a utiliza√ß√£o de v√°rios c√£es dificultar√° a uniformiza√ß√£o do plantel. Tamb√©m, n√£o se pode ignorar que o padreador deve ser um c√£o excepcional e resultante de um cruzamento fechado. √Č que a introdu√ß√£o dessas √≥timas qualidades possibilitar√° a homogeneiza√ß√£o e o elevamento r√°pido do n√≠vel de cria√ß√£o, pois um macho pode cobrir incont√°veis cadelas, imprimindo suas caracter√≠sticas em todos os descendentes do canil. A sele√ß√£o do padreador √©, de tal modo, uma tarefa de extrema import√Ęncia. Ele n√£o pode, de forma alguma, ser um c√£o med√≠ocre.
Justamente, por isso, √© sempre melhor, para os iniciantes na cria√ß√£o, a compra de uma cadela. √Č certo que √© muito mais dif√≠cil adquirir uma cadela excepcional do que um macho, pois s√£o raros os criadores experientes que n√£o mant√©m as melhores matrizes para si. Entretanto, os riscos envolvidos, na compra da f√™mea, s√£o menores, porque uma f√™mea mediana pode ser bem aproveitada na cria√ß√£o. Infelizmente, o mesmo n√£o se pode dizer de um macho.
Por outro lado, acertar na aquisi√ß√£o de uma boa matriz √© outro √≥timo come√ßo para a forma√ß√£o de uma linhagem. Com uma cadela de excelente conforma√ß√£o, pode-se at√© mesmo prescindir de um padreador pr√≥prio. Basta acasalar essa cadela com os melhores padreadores e manter os melhores filhotes das ninhadas. Com isso, ter√° sido dado um grande passo para estabelecer uma linha de sangue. Apenas para recorrer a exemplos de cria√ß√Ķes mais recentes, v√°rios canis tiveram grande sucesso com essa t√©cnica.
Uma √ļltima observa√ß√£o deve ser feita sobre a forma√ß√£o do plantel, o n√ļmero de c√£es que formam o plantel do canil tem grande influ√™ncia sobre a forma√ß√£o de uma linha de sangue. Quanto maior o n√ļmero de integrantes do canil, mais dif√≠cil ser√° a fixa√ß√£o de uma linhagem, pois haver√° uma maior variabilidade de cargas gen√©ticas e de conforma√ß√Ķes. Por isso, √© aconselh√°vel que grandes canis dividam o seu plantel em
grupos de acasalamento por proximidade parentesco. Assim, será possível formar várias linhas de sangue, enquanto que o acasalamento indiscriminado entre exemplares de um grande canil será um grande empecilho até mesmo para a formação de apenas uma linha de sangue.

Métodos de acasalamento

Para estabelecer uma linha de sangue de c√£es com √≥timas qualidades, √© indispens√°vel o recurso aos acasalamentos fechados, sejam pr√≥ximos (inbreeding) ou remotos (linebreeding). Como j√° dito, √© o parentesco entre os c√£es que vai garantir a homogeneidade gen√©tica e, conseq√ľentemente, de conforma√ß√£o dos c√£es que ir√£o compor a linhagem. S√£o os cruzamentos consang√ľ√≠neos que fixam as caracter√≠sticas.
Entretanto, nem sempre os cruzamentos consang√ľ√≠neos s√£o os m√©todos indicados para corrigir certos defeitos ou obter determinadas caracter√≠sticas. Tamb√©m, √© bom lembrar que o uso indiscriminado do cruzamento consagu√≠neo pode acarretar perda de vitalidade e tamanho nos animais, chamada depress√£o endog√Ęmica. Por isso, cada uma das t√©cnicas de acasalamento merece uma analise pormenorizada:
1) Inbreeding - √© o acasalamento entre parentes pr√≥ximos, especialmente irm√£os inteiros, pais e filhos e meio-irm√£os. √Č o caminho mais r√°pido para se fixar caracter√≠sticas. Ali√°s, para se obter uma grande homogeneidade na linhagem, o indicado seria utilizar t√©cnicas de acasalamentos sucessivos entre parentes como no caso do backcrossing - t√©cnica pela qual se cruza um pai com filha, selecionado-se dessa ninhada uma f√™mea, cruzando o av√ī com esta neta e assim por sucessivas gera√ß√Ķes.
Uma obje√ß√£o que se faz ao inbreeding √© a de que ele induz anomalias e causa uma perda de vitalidade (depress√£o endog√°mica). Aqui cabe uma observa√ß√£o, o inbreeding n√£o cria nada, apenas depura a linhagem, concentrando todo o seu potencial gen√©tico. Em outras palavras, o inbreeding traz √† tona todas as caracter√≠sticas de uma linha de sangue, sejam elas boas ou ruins. Por isso, se os c√£es da linha de sangue carregam genes que podem causar alguma doen√ßa, certamente ela aparecer√° em um programa de cruzamentos fechados. O outro lado da moeda tamb√©m √© verdadeiro, se ap√≥s sucessivos cruzamentos fechados a linha de sangue n√£o apresentou doen√ßas heredit√°rias, os indiv√≠duos que a comp√Ķe s√£o geneticamente s√£os.
Justamente por induzir a homogeneidade de conformação e genética, o inbreeding não é o método adequado para se obter rapidamente uma característica que não está na linhagem. Exemplificando, se o objetivo é alongar pescoço de uma linhagem que tem pescoço curto, o método mais rápido será um outcross com um cão de pescoço correto. O inbreeding, da mesma forma, não é o melhor método para se obter exemplares com características superlativas. Mais claramente, o inbreeding não produzirá um Dogo Argentino de 70 cm de cernelha. O inbreeding é o método mais indicado para se obter características intermediárias.
2) Outcross - √© o acasalamento de animais sem parentesco ou de parentesco muito long√≠nquo (acima da 6¬™ gera√ß√£o). N√£o pode ser o √ļnico m√©todo para se estabelecer uma linhagem. √Č que os c√£es a serem utilizados no outcross possuem material gen√©tico distante, permitindo uma grande variabilidade na descend√™ncia. Como j√° dito, √© o m√©todo ideal para se obter uma caracter√≠stica n√£o existente na linhagem e para selecionar aspectos superlativos de conforma√ß√£o. No outcross, para tentar controlar a variabilidade da prog√™nie √© sempre interessante utilizar indiv√≠duos de conforma√ß√£o parecida (cruzamento entre semelhantes). Tamb√©m, √© aconselh√°vel que, para realizar o outcross, escolham‚Äďse c√£es que sejam resultados de cruzamentos fechados.
3) Linebreeding - √© o cruzamento entre parentes n√£o muito pr√≥ximos, tal como tio com sobrinha, entre primos, av√ī com neta, etc. Geralmente se diz que o linebreeding abrange o cruzamento entre c√£es que apresentem parentesco at√© a 5¬™ gera√ß√£o. O linebreeding √© um meio termo entre o inbreeding e o outcross. √Č uma forma de assegurar uma certa homogeneidade da linha de sangue, evitando-se os riscos do inbreeding excessivo. Por ser um m√©todo de equil√≠brio, √© poss√≠vel na sua utiliza√ß√£o conjugar as vantagens do inbreeding com as do outcross. Em outras palavras, √© um m√©todo que mant√©m uma certa homogeneidade, permitindo o aporte r√°pido de algumas caracter√≠sticas. Da mesma forma, pode possibilitar a sele√ß√£o de caracter√≠sticas superlativas conjugadas a intermedi√°rias.
4) Cruzamento de semelhantes x cruzamento entre opostos - s√£o m√©todos que n√£o se at√©m necessariamente ao parentesco entre os exemplares. Para o cruzamento entre semelhantes, √© essencial os exemplares que participem do acasalamento tenham as mesmas qualidades que se deseja perpetuar. J√° o cruzamento entre opostos √© a t√©cnica pela qual se acasalam c√£es com caracter√≠sticas opostas para se obter uma prog√™nie equilibrada (cruzamento entre um c√£o com garupa plana com uma cadela com garupa de inclina√ß√£o excessiva). Em termos de sele√ß√£o e perpetua√ß√£o de caracter√≠sticas, o cruzamento entre semelhantes √© um m√©todo superior em rela√ß√£o ao cruzamento entre opostos. √Č que mesmo que se consiga corrigir um defeito com base no cruzamento entre opostos certamente os defeitos anteriores reaparecer√£o nas gera√ß√Ķes seguintes. Entretanto, o cruzamento entre opostos pode ser a √ļnica solu√ß√£o para corrigir um defeito, mas mesmo nesse caso o mais r√°pido poss√≠vel deve-se retornar ao cruzamento entre semelhantes para que a caracter√≠stica possa ser perpetuada.
5) Nicking ‚Äď √© quando dois c√£es produzem melhores filhotes quando acasalados entre si do que com parceiros distintos. Trata-se de um grande achado na cria√ß√£o em que as caracter√≠sticas dos indiv√≠duos se potencializam no acasalamento. A prog√™nie desse dois exemplares deve ser sempre valorizada e √© sempre indicada a sua repeti√ß√£o.
Os cruzamentos fechados são, portanto, a base da formação de uma linha de sangue. Acontece que a otimização do esforço no estabelecimento de uma linhagem exige a utilização de outros métodos. Um dos grandes segredos da criação é estabelecer um equilíbrio nas técnicas de cruzamento.

Conclus√£o

A multiplicidade de tipos na ra√ßa Dogo Argentino e o tamanho dos c√£es - uma caracter√≠stica superlativa - indica que os tipos de c√£es que formaram a ra√ßa eram bem diferentes. √Č com base em tal constata√ß√£o que um criterioso trabalho de cria√ß√£o nessa ra√ßa √© indispens√°vel, em face do amplo espectro gen√©tico envolvido na ra√ßa. Sem um esfor√ßo direcionado, h√° sempre o grande risco de retorno a caracter√≠sticas indesejadas dos galgos e dos mastifes. Em qualquer ra√ßa, estabelecer uma linha de cria√ß√£o √© algo penoso, mas, em uma ra√ßa com tal varia√ß√£o de material gen√©tico, estabelecer uma uniformidade de plantel √© ainda mais dif√≠cil, o que exige um maior dom√≠nio das t√©cnicas de cria√ß√£o.

Baseado na COLABORA√á√ÉO OTHON LOPES ‚Äď Canil Lands des Helds para cria√ß√£o da ra√ßa Dogue Alem√£o.

, 18/04/2017

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Max Decimus   Isis

Max Decimus x Isis

Nascimento: 15/04/2021

  Conhe√ßa

Max Decimus x Isis

Nascimento: 15/04/2021
Machos: 5
Fêmeas: 4
Disponíveis: 9